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16 de maio de 2010

Capítulo 27: BUDISMO

Budismo,
nada em excesso, só o ouro dos templos budistas


O Budismo surgiu na Índia. É uma “religião” com filosofia, ciência e doutrina baseada nos ensinamentos deixados por Siddhartha Gautama, ou Sakyamuni (o sábio do clã Sakya), que significa “aquele cujos objetivos são conquistados”. Surgiu a 2500 anos na região onde hoje é o Nepal. O Buda (563 a 483 a . C.). Buda “O Iluminado”, “O Desperto” buscou o segredo da vida e o enigma da felicidade, através da meditação, da fome, da sede, dirigindo-se às montanhas, em cujas cavernas viviam os sábios eremitas da Índia, meditando sobre os mistérios da vida e da morte à procura do saber.

“Satisfazer as necessidades da vida não é mal...Manter o corpo com saúde é um dever, porque de outra forma não poderemos manter a chama da sabedoria e a nossa mente forte e clara”
Siddhartha Gautama

Quando a rainha Mahamaya sua mãe tinha dezesseis anos “ela sonhou” que um elefante de seis trombas havia “entrado” em seu útero, e a partir daquele instante ela sentiu uma grande mudança, uma enorme paz. Ela quis ir para um retiro e o rei assim o permitiu. Ela foi se estabelecer em uma grande floresta lá permanecendo por nove meses e dez dias quando sentiu algo muito estranho.
De repente, ela se agarrou a um galho de árvore e o budinha saiu de seu lado direito de uma incisão no seu flanco, sem lhe causar qualquer tipo de dor. Sua mãe o teria concebido sem perder a virgindade. Assim que surgiu, o budinha deu sete passos um em cada uma das quatro direções, e apontando para o céu, Ele disse:

“Neste Universo, eu vim para purificar
as mentes confusas de todos os seres.”

À medida que andava, flores de lótus – símbolo do homem liberto das paixões - brotavam de onde seus pés tocavam a terra. E ainda disse:

“Não passarei por outros nascimentos pois este é o meu último corpo. Agora eu deverei destruir e cortar pela raiz o sofrimento causado pelo nascimento e morte”.

Esses eventos foram o bastante para fazer com que o rei e a rainha levassem a criança a um grande visionário que predisse que essa criança se tornaria um grande rei se ele tomasse o caminho mundano, ou um Buda se Ele tomasse um caminho espiritual. Sete dias depois de seu nascimento a rainha Maya faleceu e sua irmã cuidou dele.
Cresceu levando uma vida opulenta e extravagante como um jovem príncipe. Foi torturado por mestres cuidadosamente escolhidos de todos os campos do conhecimento e das artes, tradicional à realeza Indiana da época. Ele se excedeu tanto em seus estudos que acabou se tornando um professor de seus próprios tutores. Casou-se com 16 anos. Ele era introspectivo por natureza. Afastava-se de seus amigos e da família para se sentar calmamente nos jardins que circundavam o palácio. Sentindo que seu filho crescia insatisfeito com uma vida luxuosa e temendo que a profecia de Budato poderia se realizar, mesmo que terminasse com a linhagem real, ordenara que ele vivesse uma vida em total isolamento sem jamais poder deixar as dependências do palácio.
Entretanto os esforços de seu pai foram em vão. E aos 29 anos o príncipe Sidarta Gautama se torna inquieto e se aventura em suas escapadas para fora dos limites do palácio onde vivia para se deparar com a cruel realidade de sofrimento inevitável da vida. Assim ele se depara com os Quatro Sinais: um velho decrépito, um homem doente, um defunto e um monge que procurava por libertação. Em vez de se dedicar a uma causa humanista nobre como trabalhar e ensinar em uma escola ou ser um enfermeiro em um hospital. Ele parte, deixando tudo para trás. Escapa do palácio, troca suas roupas de príncipe e jóias pelas vestimentas simples. Fez isso para levar uma vida de jejuns e meditação, determinado a aliviar o sofrimento universal, o que aconteceu. Durante 49 anos ele ensinou o Dharma que consistia nas “Quatro Verdades Nobres” ( a vida é sofrimento. O sofrimento é causado pelo desejo, e podemos alivia-lo, “pondo fim a todo sofrimento”) e o “Caminho dos Oito Passos” que consistia em: visão, pensamento, fala, ação, esforço, vida, diligência e meditação retas. Acionando a Roda da Doutrina ( A Roda de oito raios da Lei – de oito caminhos), onde revelou que Ele havia se tornado um Buda o caminho da iluminação.

O processo para chegar a esse abençoado estado de existência não consistia na tortura do corpo pela fome e pela sede. Compreendeu que assim não descobriria a significação da vida. Um dia restabelecido, conseguiu esclarecer o enigma do sofrimento e do destino dos homens e a partir desse momento passou a ser, Buda, o Esclarecido. O Povo começou a adorá-lo, não por causa de suas idéias avançadas, mas, por causa de “milagres” tolos que lhe eram atribuídos. Contam que ele, como Cristo, tinha caminhado sobre a superfície das águas, subindo no ar e desaparecendo repentinamente, enquanto falava a um grupo de discípulos,(assim reza a história). Então Buda passou a ser adorado, como mágico sagrado.
Combatia os sacerdotes, contradizia os deuses do hinduísmo com todas as suas superstições e sacrifícios, alegando que o povo não precisava deles. No Ocidente Jesus seria crucificado 500 anos depois de Buda. Depois de ter acabado com os servidores de deuses eliminou os próprios deuses, os quais ignorava. Não se interessava pelos deuses mortos e, sim pelos homens vivos. Esvaziava o céu de deuses e enchia-o de hindus. Não acreditava na imortalidade da alma e nem tampouco a desejava. Essa doutrina significa apenas que as conseqüências de cada vida são de longo alcance e que cada ser humano é um componente importante de toda a humanidade.
Para os Budistas, a vida é sofrimento, cuja origem está no apego, ou seja, no esforço de encontrar algo permanente num mundo transitório. O caminho do nirvana para cessar o sofrimento requer a consciência de que não existe um “eu” individual egocêntrico (pois tudo está interligado). Devemos concentrar-nos em ações nobres e manter a mente tranqüila. Os ensinamentos básicos são: evitar o mal, fazer o bem e cultivar purificando a própria mente. Tudo na vida é efêmero.O objetivo é o fim do ciclo do sofrimento, Samsara. Despertando no praticante o entendimento da realidade última, a ser conseguido pelo Caminho do Meio. A moral budista é baseada nos princípios de preservação da vida e moderação para atingir a meta da perfeição, através da sabedoria. Tudo na vida é efêmero. O Nirvana (não confundir com a banda de rock americana de Seatlle) para alcançar a iluminação e felicidade, é já e agora, no presente; não em outra vida ou em outro céu.
É uma filosofia de caráter e sistema psicológico, uma maneira de viver, que prescinde de Deus. Cada um tem que se virar sozinho para alcançar a paz do espírito, controlar os pensamentos, cultivar a paciência e fazer meditação. Buda dizia que não podia se contar com nenhum Deus. Coerção, perseguição e fanatismo são palavras que não existem para os seguidores. Portanto o objetivo de seguir o caminho do Budismo significa caminho da correta compreensão em busca da verdade, o sentido da vida para buscar a libertação de todo o sofrimento. Acionando através do Caminho do Meio a Roda da Lei, rompendo o círculo infernal pelo de ensinamentos para atingir a completa iluminação - o Nirvana. O “caminho” é o processo de remoção daquilo que obscurece a mente para encontrar a iluminação nesta própria vida e sem qualquer legislador ou juiz externo.
O treinamento mental foca na disciplina moral (sila), concentração meditativa (samdhi) e sabedoria (prajña), para buscar a Luz e atingir a auto-iluminação e no Ser pelo Ser. Não precisamos de uma vidente para nos dizer qual vai ser a nossa experiência no futuro – precisamos apenas examinar e olhar para a nossa própria mente É o próprio homem que traça o seu destino mediante o seu próprio esforço, para libertar-se da ignorância e do sofrimento. Algumas pessoas pensam que o remédio para o sofrimento está nas mãos de Deus ou Buda, em algum lugar externo a elas. Mas as coisas não assim. O próprio Buda disse a seus discípulos,

“Eu lhes mostrei o caminho que leva à liberdade.
Seguir por esse caminho é algo que depende de vocês”

A mente, quando usada de modo positivo – para gerar compaixão, por exemplo – é capaz de criar grandes benefícios. Pode parecer que esses benefícios vêm de Deus ou Buda, mas são simplesmente o resultado das sementes que plantamos. Os ensinamentos de Buda visam despertar, transformar, pacificar e treinar a mente, para descerrar a verdade mais profunda em cada um e suas capacidades ilimitadas. A prática da Grande Perfeição, consiste em metas como: reduzir a raiva, o apego, a ignorância o umbral da morte.Somente ao revelar por inteiro a natureza da verdadeira mente – ao alcançar a iluminação – podemos encontrar a felicidade duradoura e ajudar os outros a fazer o mesmo. Não é o corpo que alteramos para se tornar iluminado – é a mente.

O Budismo não confere nenhum poder especial de criação, não compartilhando da noção de Deus comum à maioria das religiões.
Como Moisés ele também deu a seu povo os Dez Mandamentos, sendo o primeiro e o mais importante:

“Não destruas a vida, sob forma alguma”,

já que não temos o poder de criar, não nos assiste o direito de destruir. E esta foi a pedra angular de todos os seus ensinamentos. Os demais princípios de seus ensinamentos são: a moderação, a paciência e o amor. Sua própria conduta era o exemplo de moderação. Nascera em um ambiente de excessivo luxo e riqueza, depois uma vida de penúria, cansando-se dessa também, encontrou a verdadeira felicidade, na doutrina do bom senso: “Nada em excesso” mas sim, paciência, bondade, autocontrole, tolerância, amor, compaixão. Ensinava a seu povo o heroísmo de morrer (não pela guerra) sem infligir a dor e sem matar. Buda não ensinava a glória de Deus, mas sim o poder do amor. O Budismo é baseado na raiz dos fatos que podem ser testados e verificados pela experiência pessoal, pois é racional e prático isento de doutrinas ocultas.
Praticar a religiosidade. Não a extrovertida, que reza olhando para o céu e clamando a um Deus como estivesse lá, mas sim a que começa com a introversão, com aquilo que está dentro de você, através da meditação. Não olhe para cima, quando você ora. Olhe para dentro, porque Deus está aí. A liberdade é o objetivo final da verdadeira religião – não Deus, não o Paraíso, nem mesmo a verdade. Mas a liberdade (de consciência). Essa é a mensagem para o mundo, ensinava Gautama, o Buda.

Houve três grandes ramificações do Budismo. Dividiu-se em várias escolas: Theravada, remanescente da original; Mahayana, resultado do cruzamento com tradições da Ásia; e Vajrayana, fruto da mistura com o Tantrismo. Na China existem dez escolas budistas, embora o governo comunista desestimule a prática e seu progresso.

O que significa a imagem de Buda? Quando o Zen-Budismo foi levado pelo monge indiano Bodhidharma à China, durante a dinastia Sung, as imagens indianas foram adaptadas. O Buda Maitreya, que era magro, tornou-se a famosa imagem gorda e sorridente, símbolo da fortuna e prosperidade.
É visto retratado parado, em pé ou sentado, sua variação e seus ornamentos indicam a sua origem geográfica. Maitreya é aguardado como o próximo Buda, quando os ensinamentos do Buda Sakyamuni forem esquecidos. Conta a tradição budista que haverá um tempo em que a Lei de Dharma será esquecida por um período de 3 mil anos. Essa época marcará a vinda de outro Buda para novamente fazer girar a Roda do Dharma. O próprio Buda Gautama o escolherá como seu sucessor.
No Paquistão, o corpo é magro reduzido a ossos e representa a dor e o sofrimento. Na Índia é representado com a figura do guarda-sol. As imagens das pegadas de Buda tem sua origem na Índia, onde o imperador Shunga proibiu o Budismo e o culto às imagens de Buda, que passou a ser indicado por símbolos. As pegadas se tornaram bastante populares, já que representam o caminho para alcançar a iluminação. O sereno olhar de Buda é considerado como “uma luz profunda”, positiva e admirável, fonte de sabedoria e caminho para o aperfeiçoamento espiritual. O olho de Buda: jamais condena ou castiga, só ilumina os homens e protege os seus lares. A doutrina budista tem muitos seguidores e discípulos e é de grande complexidade para rotular alguns de seus ensinamentos, como: concha branca, precioso guarda-chuva, bandeira da vitória, peixe dourado, roda do Dharma, nó sem fim, flores do lótus e vaso do tesouro.

A influência dos ideais hinduístas e budistas transformou os Beatles, a banda mais famosa do mundo inteiro na década de 60. O quarteto de Liverpool travou contato com o controverso guru Maharishi Mahesh Yogi, fundador da Meditação Transcendental. A influência dos ideais hinduístas e budistas, transformou o grupo que passaram a utilizar instrumentos e sonoridade indianos em seus álbuns, como o famoso “Sgt Pepper´s and The Lonely Heart Club Band”. O beatle George Harrison aprendeu cítara. Mais tarde desapontados com o tratamento dispensado por Maharishi, os Beatles se afastaram definitivamente do líder espiritual. Porém todos eles ficaram marcados individualmente pela experiência, chegando, inclusive a adotarem a filosofia. George Harrison, por exemplo, ainda na década de 60, se converteu ao Budismo pelas mãos de outro famoso guru, Ravi Shankar, pai da aclamada cantora de jazz Norah Jones.

Tibete – longe do mundo, na região do Himalaia , a 4.500 m de altitude no “Teto da Ásia” vive o povo mais religioso do mundo.
Desde que o exército chinês ocupou o Tibete, em 1950, esse país vive em conflito permanente e o etnocídio continua sendo uma ameaça. O sacerdote budista superior , (que os budistas tibetanos acreditam ser a reencarnação de Buda) 14º Dalai Lama Tenzin Gyatso fugiu da incursão chinesa no Tibete e cruzou o Himalaia até a Índia. O Dalai Lama é o líder espiritual máximo do Tibet desde os seus 16 anos. Cem mil tibetanos foram para o exílio antes que os chineses fechassem a fronteira. Vinte mil deles eram lamas que reconstruíram seus mosteiros em solo indiano. Foram mortos centenas de milhares de pessoas. Hoje os chineses já somam quase 8 milhões, contra 6 milhões de tibetanos. Em Lhasa se localiza o Palácio Potala, no alto de uma montanha. Foi destruído durante a revolução cultural e reconstruído em 1982, para abrigar peças antigas que contam a história do Budismo. Mesmo estando fisicamente próximos aos céus, os tibetanos sofrem restrições e perseguições para exercer a sua religiosidade. Os budistas tibetanos são mais ativos, tocam sinos, cantam e fazem perguntas entre si. Os da escola Theravada são mais quietos; os Zen passam quase todo o tempo meditando. Os ensinamentos budistas são incrivelmente livres e não dependem de dogmas, crenças, rituais, cerimônias, sacrifícios, penitências que geralmente são exigidos em outras religiões. O Budismo é menos um sistema de fé e adoração e mais um Caminho para a Iluminação Suprema. É uma filosofia de vida que resgata o seguidor do mundo que, para os não-budistas, vemos como Real.
O Budismo era a força dominante há 1300 anos, mas só mais tarde foi criada a figura do Dalai Lama, que já teve poderes políticos e religiosos. Hoje está exilado na Índia ele luta para garantir a liberdade e sobrevivência de seu povo das suas crenças, liberdade religiosa e cultura. O maior entrave no diálogo entre tibetanos e chineses é a visão que cada lado tem da história. A China afirma que o Tibete já era parte de seu império desde o século 13. Já o Tibete diz que funcionou como um reino independente durante séculos e que a China não exerceu sobre ele um domínio constante. Em 1912, por exemplo, os tibetanos declararam sua independência e tiveram autonomia até 1950 – quando a China voltou à conquistar a região e dizem terem a “libertado” do feudalismo, da opressão de uma elite corrupta que mesclava religião com política.
Devemos lembrar que os líderes japoneses apoiaram na época o imperador Hirohito, aliado dos nazi-fascistas, na 2ª Guerra Mundial. E aí é que está o problema das religiões (ou doutrinas), por mais pacíficas que pareçam. A luta armada entre budistas e hindus no Ceilão (Sri Lanka), mostra também que os líderes budistas não se contentam somente terem sido escolhidos. No Paquistão, o Lama apoiou os testes nucleares. Querem o poder político e administrativo, misturando filosofia de vida , religião e poder absoluto. O líder espiritual tibetano Dalai Lama nos leva a lembrar do filme, o Sentido da Vida:

“Acredito que o propósito da vida é ser feliz. Desde o momento do nascimento, todo ser humano quer felicidade e não quer sofrer.
Nem a condição social nem a educação e tampouco a ideologia alteram isso.”

Na União de Mianmar (antiga Birmânia), capital Rangun (antes conhecida comoYangun). O Budismo tem 25 séculos de história, embora sofra com as lutas armadas que constantemente assolam a península indochinesa. É o país em que o budismo conta com os mais deslumbrantes cenários. Seus pagodes e complexos religiosos impressionam pela grande riqueza assim como seu país pelas sua lindas praias. Credos e raças se misturam na fé do Pagode Shwedagon. Com 100 metros de altura e banhado a ouro imensos templos de mais 2.500 anos de existência atraem diariamente milhares de peregrinos vindos de diversas regiões do país e do restante da Ásia. O conjunto então transforma-se então numa Torre de Babel, onde fiéis de todas as origens têm em comum apenas a adoração a Buda.
A Casa das Rodas de Orações e das Lamparinas, tem cilindros enfileirados que contém milhões de mantras. A crença é que quando esses cilindros são girados, os mantras são recitados simultaneamente e as bênçãos são levados pelo vento. As lamparinas acessas , centenas, em benefício de todos, na intenção de purificar a ignorância, que passa a dar lugar à clareza e à sabedoria. Há bandeiras de orações. Os budistas acreditam que, quando o vento toca o tecido, espalha a oração que está impressa nele.
A riqueza da cidade contrasta com a pobreza da maioria dos fiéis que o visitam. Em Bagan (Bago), na Birmânia (espíritos), a primeira cidade sagrada é a herança das primitivas tribos animistas. Hoje os nats incorporaram à adoração a Buda. Suas imagens são encontradas nos templos e pagodes mais importantes do país, como no fabuloso Shwedagon, onde são homenageados pelos fiéis. Encontramos um cenário de 25 séculos com imagens de Buda e templos de ouro e pedras preciosas. A cidade é conhecida como a Cidade dos Treze Mil Templos. Os monges birmaneses levam uma existência que muito se aproxima do modo de viver dos primeiros discípulos de Buda no mundo. Envoltos em mantos amarelos ou de cor laranja e trazendo sempre a cabeça raspada, dedicam-se a peregrinar por diversas regiões do país, pregando a sua fé. O único bem material que possuem é uma tigela para esmolar. Eles estão proibidos de tocar em dinheiro e não se dedicam a qualquer atividade produtiva. Sobrevivem apenas com alimentos e roupas que os fiéis que os procuram nos mosteiros ou templos por obrigação fundamental da doutrina, têm de lhes ofertar. Esses homens desde cedo guardam rigoroso celibato e não podem também ingerir qualquer alimento sólido depois do meio dia. Passam a manhã pedindo esmolas e o resto do dia meditando, lendo as escrituras sagradas ou instruindo os fiéis em busca da prática do bem como a garantia de uma reencarnação em estágio mais aperfeiçoado. Os birmaneses consideram incompleta sua existência se não forem iniciados nos ritos budistas.

Mandalay, a segunda cidade mais populosa de Mianmar, também é famosa por seus pagodes. O conjunto do chamado Kuthodaw é formado por mais de setecentos deles, a maioria mais recentes, já que os antigos foram destruídos por antigos incêndios no século passado. Anualmente milhares de peregrinos chegam a Mandalay para visitar o pagode em que se encontra o Buda de Payagi, onde os fiéis colocam pequenas folhas de ouro aos pés do Deus e seguindo um costume secular, as oferendas somente podem ser retiradas pelas mãos de virgens.
Na antiga Birmânia, o pagode de Shwemanwdaw em Pegu, por exemplo, tem 88 metros de altura ( o maior se encontra na Tailândia com 127 metros de altura), equivalente a um prédio de trinta andares, e não muito longe dele se encontra um Buda deitado de 5 metros de comprimento (46 metros deitado, na Tailândia) cuja veste é inteiramente folheada a ouro. Lá estão guardadas, além dos fios de cabelo de Buda, relíquias como imagens ricamente adornadas com ouro e cofres feitos do mesmo metal contendo grandes quantidades de pedras preciosas. Nos detalhes do templo, a parte superior da estupa (representações da mente iluminada) principal é recoberta com 8.688 placas de ouro e adornada com 5.488 diamantes e 2.317 rubis, além de centenas de safiras e topázios. No topo da construção, uma imensa esmeralda brilha para a admiração de quem tem o privilégio de vê-la. O interior dos longos corredores do templo têm o piso coberto por placas de mármore, e suas dezenas de estátuas de Buda esculpidas em madeira são artisticamente cobertas de folhas de ouro .
A presença em todo esse cenário dos humildes devotos chega a chocar. Ao percorrer os espaços dos pagodes budistas, o visitante se depara com situações inusitadas, como centenas de peregrinos fazendo oferendas de frutas, de folhas de ouro ou até mesmo de um simples cigarro. Os fiéis acreditam serem estes os caminhos para agradar ao deus Buda e dessa maneira conseguir a purificação. Segundo o próprio Buda, seus ensinamentos não são nada mais que uma sinalização do Caminho, também chamado Dharma, para fora deste plano, que leva a uma chegada ao porto seguro da felicidade e da segurança. A Realidade da Verdade Permanente, o Nirvana. Quando se atinge o Nirvana, caminhar não é mais preciso.
De um modo geral, o Budismo é a rota de fuga do sofrimento, angústia e impermanência. Por sofrimento, entende-se nascimento, angústia, dor, tristeza, males, doenças, velhice, morte, desespero, pobreza, maldade, lamentação, atribulações, azar, guerra, insanidade, fome, desejos não realizados, necessidades básicas não atingidas, afastamento do que desejamos e aceitação do que não desejamos, do que foge ao nosso controle. O seguidor deve entender que tudo o que foi criado é impermanente (inclusive os relacionamentos com amigos e familiares) e, conseqüentemente, fadado à extinção. Tudo que se forma tem que se desfazer, tudo que se junta tem que se separar, tudo que nasce tem que morrer. Mudanças contínuas e implacáveis são constantes em nosso mundo. Em um dado momento morremos só, nada restará para fazer lembrar aos outros que um dia estivemos aqui. Nós nos tornaremos nada mais do que uma lembrança. Exatamente por esse motivo, o Budismo concorda tranqüilamente coma Teoria da Evolução de Darwin, assumindo que tudo que é perene e mutável no mundo em que vivemos e com a maioria das teorias das ciências atuais.
Não é difícil também encontrar gurus de terras distantes meditando nas salas movimentadas dos templos mais famosos do país. A presença e o esplendor dos templos birmaneses, que não tem igual em todo o Oriente nem admite a menor comparação com qualquer das grandes catedrais do Ocidente, onde a riqueza também contrasta com a pobreza do resto do país.

BudajJá com 80 anos, debilitado, se deitou no lado direito para descansar, e finalmente antes de alcançar a extinção completa o Parinirvana , disse:

“Tudo que foi criado está sujeito a deteriorar e morrer. Tudo é transitório. Trabalhem a suas próprias salvação com diligência”.

Para mim, tudo uma incoerência, um paradoxo, que não reflete ao ideal de Gautama “nada em excesso”. Foi um o homem simples que abandonou toda a riqueza para dedicar-se a uma despojada vida de contemplação e de busca de liberdade para o espírito, algo que os adeptos do Budismo da Birmânia, não descobriram totalmente e na sua plenitude. As manifestações violentas e nada pacíficas, incentivadas pelo Dalai Lamai , aos monges budistas no Tibete, em luta pela autonomia da região, atualmente sob o jugo chinês, mostrou contradições.

Durante mais de dois mil anos os ensinamentos de Buda e sua linda filosofia se espalharam , e influenciaram de alguma maneira o mundo civilizado e a outra metade poderia começar a ouvi-los.
Não existe conversão obrigatória, imposição ou coerção para novos seguidores ou adeptos, assim como 600 milhões de seguidores já o fizeram. Buda só mostra o caminho. Diferente das religiões cristãs, que exigem fé cega e absoluta.

Mais da metade da população do Japão segue os preceitos do Budismo, essa “religião” complexa e profunda tem suas raízes e é muito forte no mundo oriental. Os japoneses recitam a prece budista “Namu Amida-butsu”. Isso se deve ao fato de diferença , entre as visões do mundo que têm ocidentais e orientais. Em termos filosóficos, o ocidental tem como força motriz a produção (é preciso ser produtivo o tempo todo) enquanto o oriental dá mais valor para a contemplação, que leva à compreensão do mundo, dos valores humanos, da vida. Apesar de hoje em dia quase todas as nações do Oriente terem se rendido à produção e à economia capitalistas, esse conceito encontra-se completamente disseminado na sociedade que, freqüentemente, busca o caminho do Budismo para atingir a Libertação a Iluminação e compreender a Verdade. Para ser Iluminado é necessário purificar a mente, buscar a vida calma e equilíbrio, exaltar as virtudes, à erradicação de doenças psicossomáticas e eliminação das três causas da infelicidade: desejar, odiar e ignorar. Praticar a meditação é como ser jardineiro da própria mente, arrancando dela as ervas daninhas.

E todo o resto do mundo tem muito a aprender com essa atitude. Observar como essas pessoas são serenas, calmas e pacíficas é uma das maneiras de constatar que, independente das convicções religiosas de cada uma , seguir os preceitos budistas, é antes de mais nada, encontrar o bem estar. Como essa é uma “religião” atípica do ponto de vista dogmático (muitos a consideram até ateísta), é possível trilhar seus caminhos (enquanto filosofia) de forma racional, sem qualquer idéia por imposição. O Budismo prega o conhecimento, na forma mais ampla possível, como meio de libertação da ignorância em busca da serenidade e da salvação.
A filosofia, doutrina, vem crescendo no Ocidente e os motivos não se baseiam somente nos ensinamentos do Buda. O Budismo é muito compatível com a ciência moderna – e talvez essa seja uma das razões de sua popularidade nos países do Ocidente. Principalmente o Zen Budismo, não uma filosofia, nem uma religião, que não está interessado no passado nem no futuro. Seu total interesse está no presente (ponte entre o passado e o futuro). Numa sociedade globalizada, os termos: mandala, meditação, iluminação chakra, tantra, estão na boca de pessoas modernas e descoladas, unidas e adotando essa nova filosofia. Inclusive por famosos do cinema como Richard Gere, Oliver Stone, Peter Coyote, Cláudia Raia e Édson Celulari Maurício Mattar e Elba Ramalho, no esporte como Roberto Baggio e até o cientista Albert Einstein. Todos enxergam o mundo sob a ótica budista, o verdadeiro conhecimento, como nova forma de vida e Iluminação.

Desde que não façam como os sacerdotes e assessores monges tibetanos, que roubam todas as oferendas deixadas pelo povo. Pregam a submissão e a resignação dos pobres ignorantes, deturparam e envenenaram o Budismo, os seus valores e sua filosofia de vida, na tentativa de glorificar e buscar a verdade a Iluminação.

Somos aquilo que pensamos,

somos tudo que nasce de nosso pensamento,

com nosso pensamento, construímos o mundo.

Fale ou aja com uma mente impura,

e os problemas o seguirão,

como a roda segue o boi que puxa a carreta.

Somos aquilo que pensamos,

Somos tudo que nasce de nossos pensamentos.

Com nosso pensamento construímos o mundo.

Fale ou aja com uma mente pura.

E a felicidade o seguirá, como sua sombra, inabalável.

“Ensinamentos de Buda”.
Extraído de Apath whit heart,
De Jack Cornfield

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